Há eventos que existem para apresentar.
E outros que existem para se posicionar.
O encontro que a Desenhabitado organizou no MAAT Central não foi pensado como uma sequência de momentos bem executados. Foi pensado como um alinhamento entre espaço, discurso e intenção.
No centro desse alinhamento estava a colaboração entre Armando Cabral e a USM. Uma relação que, à partida, não é óbvia.
De um lado, um olhar autoral, cultural, profundamente ligado à narrativa.
Do outro, um sistema rigoroso, modular, preciso, quase anónimo na sua lógica.
E, no entanto, é precisamente nessa tensão que o projeto ganha relevância.
No fim, o que este encontro demonstrou não foi apenas uma boa execução.
Foi a possibilidade de conciliar duas coisas que raramente coexistem com equilíbrio:
estrutura e expressão
sistema e autoria
precisão e cultura
E é exatamente nesse territorio, onde o design deixa de ser apenas formal e passa a ser intelectual, que a Desenhabitado escolhe trabalhar.